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05 September 2010, 06:51pm
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Artigo escrito por José Mendonça Teles, publicado no jornal O Popular de 6 de fevereiro de 2007.

 

A igreja do padre César

No meu livro Em Defesa de Goiânia, está registrada minha preocupação em preservar a memória da cidade, atingida por um vendaval de demolições nos anos 80, culminando com a destruição da histórica Santa Casa. Meus artigos sensibilizaram o governo que deixou intacta a igrejinha de Nossa Senhora das Graças, pois era intenção governamental construir um hospital dos servidores públicos no local. Mas aconteceu a maldição: o césio, que nasceu dos escombros da Santa Casa! Não construíram o hospitjal dos servidores, mas nasceu o Centro de Conveções e a igrejinha está lá, único pedacinho de um tempo, tão saudoso na memória dos goianienses.

E põe saudosismo nisso, pois a igrejinha, com o nome ponposo de Reitoria Nossa Senhora das Graças, administrada pelo padre César Garcia, tornou-se um belo cartão-postal da cidade. Nas missas dominicais os espaços são disputados pelos fiéis que chegam de todos os cantos de Goiânia, muitos deles descendentes de pioneiros que ajudaram a construir a cidade.

E tem que chegar mais cedo, se quiser um lugarzinho pra sentar-se. E bem antes de começar a celebração, com os sinos badalando, lotada de fiéis, as portas da Igreja são fechadas para garantir a circulação do ar-condicionado, numa temperatura de 15 graus. Isso mesmo, 15 graus, porque na Igreja do padre César o ar é condicionado para que os fiéis friamente, e coma mente fria, possam conversar com Deus ouvindo o canto gregoriano. Acredito que seja a única Igreja em Goiás condicionada a ar.

E tem mais, os fiéis podem acompanhar a celebração com os olhos fitos num telão onde aparecem escritos os ritos da santa missa, as Leituras e o Evangelho. E tudo segue como quer padre César, sempre renovando o ritual até a hora do sermão, quando demonstra sua afinidade com a retórica, entendendo e explicando as palavras de Cristo. Outra inovação: um séquito de colaboradores, todos trajando batas brancas, caminha pelo centor da Ireja levando a comunhão aos participantes, evitando o tumulto da fila única em direção ao altar e o ganho de tempo, para que padre César possa dar seu recado evangelizador. As crianças também comungam, comendo o pãozinho de queijo, abençoado pelo padre e distribuiído na hora da comunhão.

Padre César é uma espécie de Rei Midas, onde põe a mão nasce ouro. O conheci professor na Universidade Católica misturando-se com os alunos, com um violão a tira-colo e soltando a voz. Tempos depois, foi dirigir a paróquia no Setor Sudoeste, onde permaneceu por 20anos, organizando nela um museu com as obras do frei Confaloni. Fez nome, a Igreja lotada, padre César celebrando missas, fazendo batizados, casamentos, crismas, sermões e mais sermões e os fiéis atentos à sua liderança. Nion assume a Prefeitura de Goiânia, olha lá padre César dirigindo a Secretaria de Cultura. Terminado o mandato, foi-se embora para a França aperfeiçoar o francês, estudou na Bélgica, retorna a Goiânia e com carisma, competência e liderança deu vida a uma das igrejas mais antigas da cidade, onde os fiéis são chamados à missa no badalar dos sinos!


 
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