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05 September 2010, 06:40pm
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Padre Carlos Plangger e Corumbá!

(Ramon Curado)
Carlos Plangger nasceu na região de Cur, nos Alpes do Tirol, cantão suíço, em 1º de janeiro de 1908. Origem germânica, se orgulhava de seu país a Suíça, “de onde são recrutados os famosos guardas suíços para cuidarem da segurança do Santo Padre em Roma”, gostava de lembrar. Entrou para o seminário em 1921 e, anos depois já como sacerdote, serviu como capitãocapelão no exército austríaco até 1932. Exerce o magistério como professor em uma escola no norte da Itália e ali, em 1939, em plena 2ª Grande Guerra, por infligir castigo a um aluno filho de um militar fascista, recebe como punição a ‘destituição’ pelo governo de sua condição de clérigo e alistamento compulsório como soldado nas forças combatentes. Ajudado pelos irmãos de sacerdócio consegue fugir em um navio vindo desembarcar no porto de Santos, no Brasil, em 24 de março de 1939, sem saber a língua portuguesa, mas utilizando-se do latim para se comunicar. Logo vem para Goiás, onde é acolhido pelo então Arcebispo de Goiás Dom Emmanuel Gomes de Oliveira, nesta época já residindo em Goiânia, para onde veio com a mudança da capital da cidade de Goiás.

Inteligente e hábil construtor, respondeu pelas obras da Arquidiocese, entre as quais a da Capela de Nª. Sª. das Graças, junto a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia na Rua 4, a da Catedral Metropolitana (na sua fase inicial), a da Matriz de Corumbaíba, de obras em Jaraguá e em Uruana alem das do Hospital e do Ginásio Arquidiocesano de Formosa. Em 24 de março de 1952, após exercer a função de vigário da Paróquia de Nª Sª Auxiliadora de Goiânia (hoje Catedral), assumiu a Paróquia de Nª Sª da Penha de Corumbá de Goiás, onde por alguns anos não havia Padre residente e era assistida pelos Frades Franciscanos de Anápolis.

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Num trabalho intenso em terreno propício, renovou a vida religiosa da cidade, reestruturando as irmandades existentes, como a Irmandade do Santíssimo Sacramento, a Irmandade de Santo Elesbão, o Apostolado da Oração, a Irmandade do Rosário, a Sociedade de São Vicente de Paulo (apoiando a manutenção do “Asilo” existente); além de fundar outras como a Congregação Mariana, as Filhas de Maria e a Cruzada Eucarística. Organizou os ‘coroinhas’ e fundou a Escola Paroquial de Nª. Sª. da Penha, para cuja direção trouxe as Irmãs da Ordem de Santa Catarina. Fundou ainda o Curso Normal Arquidiocesano “Monsenhor Chiquinho”, com duração de apenas dois anos devido a dificuldades burocráticas e onde ele próprio era professor de Religião e de Latim.

Anualmente, por vários anos, percorria a cavalo todo o vasto território da Paróquia, que na época incluía as regiões hoje pertencentes aos municípios de Corumbá, de Cocalzinho, de Alexânia e de Abadiânia, como o Vale do Rio Verde, Fazenda Estreito, Vale do São Jerônimo, Aparecida de Loyola, Olhos d’Água, Fazenda NS Conceição, Parãma, Fazenda dos Ferreiras, Posse d’Abadia, região do Baião, Mateus Machado, Vendinha, Prata, Salto, etc. Era a ‘desobriga’, durante a qual se ausentava da sede por mais de trinta dias, visitando cada capela, cada fazenda, onde celebrava a Santa Missa, atendia às confissões e promovia casamentos e batizados.

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Foram marcantes alguns acontecimentos naqueles anos: as visitas de Dom Emmanuel Gomes de Oliveira (e seus auxiliares: Pe. Cirilo, Pe. Quintiliano, Ir. Nonato) e, em 1959, a primeira visita Pastoral de Dom Fernando Gomes dos Santos,novo Arcebispo da recém criada Arquidiocese de Goiânia.

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A chegada das Irmãs da Ordem de Santa Catarina, que para cá vieram para dirigir e lecionar na Escola Paroquial, deu grande impulso à mesma e proporcionou condições para a criação do 1ª Curso Ginasial, já que em Corumbá não havia professores habilitados. Marcantes foram ainda as Missões pregadas em 1959 pelos Redentoristas (Pe. Campos, Pe. Tito Cardoso, Pe. Albertini e Pe. Martins), e a presença constante do Pe. Antônio Marcigaghia, salesiano italiano, que com freqüência vinha ajudar na Paróquia, sobretudo no período (1961) em que o já Cônego Carlos viajou para sua terra.

Amava intensamente Corumbá e procurava apoiar suas tradições, incentivando a Corporação Musical “13 de Maio”, os ‘leilões’ na Festa de São Sebastião, as Cavalhadas por ocasião da Festa do Divino, a romaria aos picos dos Pireneus em julho, as ‘barraquinhas’ da festa da Padroeira em setembro, que praticamente foram por ele criadas e que passaram a ser ocasião de reencontro dos corumbaenses residentes em outras cidades.

Foram anos de grandes transformações na Igreja, advindas do Concílio ‘Vaticano II’, e cujas implementações eram de pronto introduzidas na Paróquia, como a Santa Missa celebrada em português e de frente para os participantes. Uma sua virtude era a obediência à Igreja, nos seus superiores.

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Em 1º de novembro de 1960 Padre Carlos é agraciado com o título de “Cônego” do Cabido da Arquidiocese de Goiânia e, pela primeira vez, retornou à sua terra natal, a querida Suíça. Todos temiam que não mais voltasse, mas logo regressou e desabafou com os que o acolheram festivamente: ‘aqui é minha terra, lá não reconheci nada que lembrasse o passado; daqui jamais sairei’.
Em 13 de janeiro de 1965, logo após completar 57 anos, veio a falecer em Goiânia, para onde o chamara dias antes Dom Fernando, para que se tratasse de grave infecção dentária. A Santa Missa de corpo presente, presidida pelo Arcebispo Dom Fernando e com a participação de numerosos sacerdotes, aconteceu na Matriz de Nª. Sª. da Penha, no dia 14 de janeiro, após uma chuva que desenhara nos céus um belo arco-íris, visível durante o sepultamento no Cemitério “São Miguel” de Corumbá, bem junto à capela, ao lado do Pe. Pedro Marinho, um dos primeiros vigários ainda no século XIX, e onde mais recentemente foi colocado o jovem sacerdote corumbaense Padre Adriano Moreira Curado.
Para quem teve a graça de conviver com Padre Carlos fica a lembrança de um sacerdote piedoso e dedicado, que passava horas atendendo confissões, que se sacrificava ao extremo ‘assistindo’ aos seus paroquianos, percorrendo às vezes, devido a saúde debilitada, penosamente a vasta região no lombo de cavalo nas ‘desobrigas’, e que amou intensamente esta terra cuidando de preservar suas tradições mais caras.

 

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